O Velho do Restelo


"Mas um velho d'aspeito venerando,
Que ficava nas praias, entre a gente,
Postos em nós os olhos, meneando
Três vezes a cabeça, descontente,
A voz pesada um pouco alevantando,
Que nós no mar ouvimos claramente,
C'um saber só de experiências feito,
Tais palavras tirou do experto peito:

- "Ó glória de mandar! Ó vã cobiça
Desta vaidade, a quem chamamos Fama!
Ó fraudulento gosto, que se atiça
C'uma aura popular, que honra se chama!
Que castigo tamanho e que justiça
Fazes no peito vão que muito te ama!
Que mortes, que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles experimentas!


Luís Vaz de Camões
Os Lusíadas (Canto IV, 94 e 95)

1º Fórum de Divulgação Institucional - Cruz Vermelha Portuguesa - Núcleo de Santar

Embora já venha a queimar, tendo em conta o facto de muitos elementos ou companheiros do GOTA estarem intimamente ligados (huum...) a instituções de voluntariado, para os interessados (ou não...) aqui fica a informação desta acção, a realizar no Cine-Teatro de Nelas, no próximo dia 2 de Setembro de 2006.
A abertura do secretariado será às 09h, o almoço é por conta da casa :) e é certificada a participação. O vinho, dispensa apresentações...
Organização e Secretariado:
Telem. 91 40 87 841
mailto:nsantar@cruzvermelha.org.pt

frases de la semaine, quem sabe de lo day!


"... isto é um caso que já ultrapassa as fronteiras da europa e, quem sabe, do mundo!"

"... para meio entendedor, meia palavra basta. "

António Fiúza, Rei do Soquete, à SIC Notícias, sobre "Caso Mateus".

Pernas para que te quero!

Não acredito em coincidências... Continuo a achar que fomos plagiados... Fica à consideração dos interessados!

Amigos

"Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências…

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.

Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar. Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.

Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo!

Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer…

Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!

A gente não faz amigos, reconhece-os."

Vinicius de Moraes (1913-1980)